10 dicas para (re)negociar o seu salário

16.05.2022 | Artigos | 0 comments

Falar sobre dinheiro é um dos maiores bichos papões da nossa cultura. Um excesso de humildade implantado nas nossas mentes, desde os tempos de uma ditadura altamente manipuladora e traiçoeira; um espírito de servileza desde tempos imemoriais; e a falta de autovalorização, reflexo de um país pobre, iletrado e pouco desenvolvido, são a fórmula perfeita para acharmos que negociar o salário é um feito acessível a poucos, só aos mais corajosos, só aos que são mesmo muito bons no que fazem!

Deixe-se de tretas! Qualquer um pode (re)negociar o seu salário. Qualquer um pode ser muito bom no que faz. Qualquer um pode lutar por uma vida melhor. Arregace as mangas e venha comigo perceber o que tem que fazer para o conseguir:

  1. Garanta que faz o que faz muito bem; não importa o quê, nem que seja a pôr autocolantes numa garrafa de plástico, coloque-os eximiamente; seja o melhor na sua arte, nada menos que isso;
  2. Certifique-se que sabe quais são os objetivos financeiros da empresa, quer em relação aos resultados gerais da mesma, quer em relação à sua função – informação é poder;
  3. Faça contas! Você pode ser um custo ou um investimento para a empresa; seja profundo e analise, além do seu ordenado, todos os impostos, 13º e 14º mês, alimentação, seguros, formação, etc., etc. e etc. que a empresa gasta consigo; reflita sobre o valor que o seu trabalho traz à empresa; existem funções de vendas, onde esta informação é mais clara, noutras, terá que ser perspicaz para chegar a um valor médio, mas é possível, avance;
  4. Pesquise um pouco o mercado e perceba o que estão a ganhar outras pessoas na sua função, quer na sua área de atuação, quer noutra; mais uma vez: informação é poder!
  5. Decida onde quer chegar, quais são as suas necessidades e os seus limites;
  6. Prepare os seus argumentos e, se necessário, ensaie ao espelho, grave um breve vídeo com o roleplay ou só escreva;
  7. Prepare os números: lembre-se que o objetivo primeiro de qualquer empresa é a geração do lucro; é muito bonito falar das pessoas, mas se uma empresa não é economicamente viável, não há empresa para empregar pessoas, portanto, com quem toma decisões, a linguagem é sempre, e acima de tudo, numérica; mostre claramente como o seu trabalho traz retorno financeiro à empresa e, por isso, podem e devem continuar a apostar em si; como recrutar um novo elemento custa muito mais dinheiro do que investir num que já lá está, etc.  
  8. Seja flexível: não ganha nada em ir para uma conversa destas com uma postura arrogante, inflexível e presunçosa; também não mostre medo, insegurança ou falta de controlo; encontre um meio-termo: adote uma postura relaxada e segura, tranquila, simpática e empática, mas assertiva;
  9. Lembre-se que todo o nosso corpo fala; cada ação, cada detalhe, cada silêncio, cada gaguejar comunicam uma mensagem e, através dela, transmite como quer ser tratado, o seu estado de espírito e até onde as pessoas podem esticar a corda consigo;
  10. Garanta que a pessoa responsável tem disponibilidade para esta conversa, percebe a importância que lhe dá e jamais saia de lá sem garantias ou, pelo menos, a garantia de uma data para uma resposta concreta.

Reunindo estes elementos e transmitindo as suas necessidades de forma clara e transparente, vai demonstrar à sua empresa que está insatisfeito, mas está disposto a manter-se ali se considerarem valorizar um pouco mais o seu trabalho. Se não o fizerem, são horas de tomar decisões: ao manter-se por muito mais tempo, vai ensinar a sua empresa que podem continuar a explorá-lo; se sair, é possível que perca a segurança (ilusória) que este trabalho lhe dá (se é que dá). Não complique, é tudo uma questão de equilibrar o custo/benefício e agir.

O que decide?      

Cátia Rodrigues

Cátia Rodrigues

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