As maiores recompensas de ser formador(a): 5 perspetivas

24.04.2020 | Artigos | 0 comments

Há uns meses atrás, apresentei-lhe cinco perspetivas sobre os maiores desafios de ser formador. Hoje vim falar-lhe sobre o reverso da medalha. Claro que ser formador não é só lidar com dificuldades, dar formação é muito gratificante, mas, mais uma vez, não queria basear-me apenas na minha perspetiva, pelo que convidei outros quatro colegas para dar a sua opinião.

Assim, falei com o Marco Gouveia, especialista em Marketing Digital, que me disse: “Costumam ser salas cheias de pessoas entusiasmadas e com uma enorme sede de aprender, as das minhas formações. Poder transmitir-lhes o que fui aprendendo ao longo dos anos é, já o disse, o que mais prazer me dá. Tal deve-se, em grande medida, aos laços que vamos criando, à medida que as horas avançam, eu e aqueles que decidem investir parte do seu tempo comigo, que em mim depositam a sua confiança. Na verdade, as recompensas de se ser formador começam aí mesmo: na gratidão que sinto pela sua disponibilidade, logo à partida. No fim, ver que, de algum modo, pude contribuir para o sucesso e crescimento dos meus formandos é algo profundamente especial, que me enche de orgulho e vontade de continuar esta jornada que tanto me apaixona.”

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A Dulce Castanheira, profissional de Comunicação, partilhou comigo: “Porque acredito que a formação é essencialmente a partilha de conhecimentos que participa nos processos de mudança, sinto que a maior recompensa que posso receber do processo formativo é a verificação de que, de alguma forma, fiz parte desse processo, ou seja, perceber que os conteúdos transmitidos contribuíram efetivamente para um aumento da realização/ satisfação pessoal e/ ou profissional dos elementos envolvidos, facilitaram os processos de integração e o desempenho das funções/ tarefas propostos. Em jeito de conclusão, e analisando os vários desafios que me foram surgindo nesta área, perceber que o tempo que os formandos investiram na sua formação comigo foi para eles uma mais valia é, sem dúvida, o que de melhor retiro da atividade formativa.”

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A Ceselina Matos, apaixonada por Recursos Humanos, disse-me “O que me move na formação é simples. Eu vejo-me com um espírito servidor, logo, o facto de poder partilhar conhecimento, de acrescentar valor às pessoas de alguma forma e de resolver os seus problemas e necessidades, deixa-me de coração cheio. Costumo dizer que não ensino nada a ninguém, dou consciência, ajudo a refletir e dou ferramentas que ajudam. No final de uma formação fico muito cansada, pois estou ao serviço do grupo durante todo o tempo em que a mesma dura e não me limito a ler um PowerPoint (muitas vezes até me esqueço que ele existe), contudo o sentimento é de dever cumprido.”

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A Ariana Amorim, perita na área comportamental contou-me: “O melhor é ser testemunha da transformação das pessoas pela mudança da consciência de si mesmas. E isso prende-se com a área da formação em que atuo – a comportamental. As pessoas têm ocasião de refletir sobre as suas práticas, as práticas dos outros, as causas e consequências de certos comportamentos, partilham experiências, consideram outras perspetivas, sentem-se menos sós nas suas dúvidas e medos, e saem, nem que seja um pouquinho, diferentes do estado em que chegaram. Ver a sua expressão mudar, estar com elas naqueles momentos a que chamo “silêncios produtivos”, sentir que fizemos parte desse crescimento, dessa mudança, é a maior recompensa!”

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Finalmente, na minha perspetiva, a maior recompensa de ser formador é ter a oportunidade de aprender enquanto ensino e saber que, dessa forma, consegui tocar uma alma. Adoro aprender e a melhor forma de o conseguir, no meu caso em particular, é através do estudo, da investigação e da concretização desse resultado em trabalhos práticos. Ora, ao preparar formação é exatamente isto que se faz. Neste processo também tenho a possibilidade colocar a minha criatividade ao serviço dos meus formandos, pelo que tenho que pensar sempre em soluções diferentes, o que é altamente estimulante. Depois, a cereja no topo do bolo, é quando vou ministrar as formações e conheço as pessoas, interajo com elas, partilho a minha visão e recebo a delas sobre aquele ou outros assuntos. É tão enriquecedor! Quando sabemos que o tempo que passaram connosco foi realmente útil porque nos dão esse feedback, os vemos a vingar na vida e/ ou nos fazem um agradecimento, isso então, é indescritível! É quando tudo faz realmente sentido.

Para si, que está a pensar em ser formador, do que está à espera? Tal como em qualquer profissão, vai ter aspetos positivos e aspetos mais delicados, mas, de acordo com estes testemunhos, não lhe parece que vale a pena partilhar o seu conhecimento?

Avance, arrisque e transmita aos outros o que sabe. Acredito mesmo que através da educação e do espírito de partilha todos podemos ser mais e melhor.

E você, acredita?

Cátia Rodrigues

Cátia Rodrigues

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