Como combater o medo de uma autoscopia. Auto quê?

13.08.2019 | Artigos | 0 comments

Se quer vir a ser formador mas acha que é uma profissão muito desafiante acertou em cheio. Pode, inclusivamente, encontrar aqui alguns dos maiores desafios de ser formador, mas não desanime, os ganhos são, certamente, muito maiores e mais gratificantes. Avance!

Já sabe que para ser formador tem que fazer uma formação – a Formação de Formadores – e um dos momentos avaliativos desta formação é a chamada “autoscopia”. O nome é dramático e a maior parte das pessoas tem muito medo dela, mas não passa de uma simulação de uma ação de formação. Ora, é para vir a ser formador que lá está, certo? É isso que quer vir a fazer no seu dia-a-dia correto? Então vamos lá, sem medos!

Tenho umas dicas para partilhar consigo que está agora a fazer a Formação de Formadores ou a pensar aventurar-se nessa empreitada. No seu curso vai ter que fazer duas autoscopias. Uma numa fase inicial da formação e outra na fase final da formação. A ideia é analisar a primeira e registar aspetos a melhorar e, no fim, comparar as duas e verificar a evolução entre a primeira e a segunda e apontar outros detalhes que ainda possam ser ajustados. Para que possa passar por este processo de forma mais leve e descontraída lembre-se das máximas que apontarei de seguida:

 1. Está ali para aprender

Em qualquer processo de aprendizagem tem que passar pela fase inicial em que há algum desconforto. Tudo é novo e diferente. É normal. Lembre-se que todos os seus colegas estão mais ou menos no mesmo patamar que você, todos, por mais confiantes que possam parecer, têm as suas inseguranças e não faça comparações! Dê o seu melhor com base no que está a aprender e acredite que vai melhorar com a prática.

 2. Seja inteligente na escolha dos temas

Acho, cada vez mais, que as escolhas que fazemos devem ser conscientes, de modo a simplificar-nos a vida e não o contrário. Para a primeira autoscopia escolha um tema com o qual se identifique mas simples, prático, objetivo, universal e da atualidade. Isto vai permitir envolver o seu público e mantê-lo interessado, o que, por sua vez, o vai ajudar a relaxar e a desenvolver um trabalho de maior qualidade. Além disso vai ter espaço para crescer e evoluir mais entre a primeira e a segunda avaliação. Nesta pode arriscar mais e avançar com um tema mais técnico, eventualmente da sua área de trabalho com o qual também se identifique e que domine. Se puder acrescentar valor real ao seu público vai ter um feedback muito mais positivo e ganhar a confiança necessária para continuar.  

3.     Arrisque mas com cautela

No que diz respeito às estratégias e métodos que vai usar para fazer as suas apresentações, deve sempre inovar e destacar-se por fazer diferente, mas pense como poderá criar um maior impacto entre a primeira e a segunda apresentação. Ou seja, a avaliação deve ser encarada como um todo, porque se pensar em cada autoscopia de forma individual pode estar a “arranjar lenha para se queimar”. Claro que não precisa baixar as expectativas do seu trabalho, apenas doseá-lo bem. Imagine qua a primeira apresentação é tão “UAU” que, por mais que faça, não consegue manter o nível na segunda…está a ver a ideia? 

 4.     Treine bastante

A preparação é o truque para o sucesso de qualquer atividade. Treine. Treine muito. Treine em frente ao espelho. Treine para uma plateia constituída pelo seu marido/ esposa/ filhos/ pais/ amigos/ gato/ periquito, mas treine. Treine quando estiver farto de treinar. Treine quando achar que está mais do que preparado. Treine.  

5.     Faça de conta

Se estiver mais ansioso faça de conta que se trata de uma simples apresentação como aquelas que fazíamos na escola, porque é mesmo! Se era daqueles que já na altura ficava stressado, então trabalhe o seu diálogo interior, medite um pouco e respire. Atente a todas estas dicas e vá em frente! Enfrente!

6.     Divirta-se

Na vida há momentos em que nos focamos demasiado nas dificuldades e nos esquecemos de desfrutar do processo. O que acontece nestes casos é que o tempo passa a correr e o momento nada mais é do que um flash na nossa cabeça. Por vezes, nem conseguimos recordar como tudo aconteceu. E aconteceu. E nem damos por isso. Desfrute desta experiência, de cada instante e envolva-se, divirta-se! 

7.     Aceite as críticas de forma construtiva

A ideia é mesmo aprender. Está numa formação e é para isso que lá está. Errar faz parte de qualquer processo de aprendizagem, aliás, é o erro que nos permite avançar, por isso encare esta experiência de forma positiva, vá ajustando a sua atuação e melhore a cada passo. Lembre-se que deve sempre ouvir o seu público e perceber como se poderá ajustar de modo a ir mais ao encontro do que este pretende. Isto é válido se o seu público são os seus formandos ou sãos os seus formadores!

Espero que estas dicas tenham sido úteis e que se sinta mais confiante. Vai ver que só custa começar! 😉

 E você que já é formador, tem mais alguma sugestão para acrescentar?

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

Cátia Rodrigues

Cátia Rodrigues

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