O que é um bom estágio

9.01.2023 | Artigos | 0 comments

Um dos momentos formativos dos quais mais gosto, enquanto professora e orientadora, é dos estágios. Digo isto, porque conheço todas as dores que os meus alunos e orientandos vão passar. Também conheço a emoção, o entusiasmo e a paixão que se sente nos bons momentos.

Deixe-me começar pelo início. Não poucas vezes, os aprendizes confundem os tipos de estágios que existem. Os estágios curriculares são aqueles que estão integrados num curso de formação e que são obrigatórios, como se de uma disciplina se tratasse. Depois existem os estágios profissionais, normalmente financiados pelo governo, na entidade do Instituto do Emprego e Formação Profissional I.P. Além disso, também existem estágios informais, cujas condições são acordadas entre a entidade empregadora e o estagiário. Nada disto é ou equivale ao tempo de experiência designado na lei do trabalho, atenção!

Normalmente, os estágios curriculares não são remunerados, embora muitas empresas já admitam, pelo menos, um apoio à deslocação e à alimentação, além de, embora muito raro, um prémio extra. No caso do Turismo, muitas são as áreas de atuação, onde os cargos estão altamente associados a gorjetas e, portanto, esse valor também é atribuído aos estagiários. Esta situação não é a ideal, mas, estando a estudar, tem que se organizar financeiramente para este momento.

A duração de um estágio curricular pode variar bastante, mediante o tipo de curso que está a tirar, mas, por princípio, rondam entre as 300h e as 750h, que podem ser realizadas numa ou em várias experiências. A decisão de um ou vários estágios ou momentos de formação on job, é delicada. Por um lado, a diversidade de experiências permite um maior conhecimento de mais áreas de atuação, tarefas e cargos. Por outro lado, quanto menos tempo desempenha uma tarefa, menos especializado se tornará. De qualquer das formas, esta decisão, normalmente, passa menos pelo aluno e mais pelo professor especialista que orienta estes processos e/ou a própria escola.

A escolha do local de estágio deve ser motivada pelas suas preferências. No entanto, a orientação de alguém mais experiente é determinante, pois nem sempre a realidade se coaduna com a teoria. De qualquer das formas, só experimentando vai poder saber se, de facto, esta é uma área de interesse real ou não e se é por aqui que deve continuar o seu percurso profissional. Se não correr tão bem como esperava, alegre-se. Pelo menos já sabe que não é esse o caminho e pode redirecionar-se.

Um bom estágio é aquele onde existe reciprocidade. O aluno vai aprender a colocar em prática o que aprendeu na sala de aula, contribuir com o seu conhecimento e espírito crítico e ajudar a empresa a atingir os seus objetivos. A empresa vai ensinar o que sabe, desmistificar dúvidas entre a teoria e a prática e contribuir para o crescimento profissional e humano do estagiário. Tudo correndo bem, o aluno fica com um local para trabalhar a seguir, ou, pelo menos, com “uma porta aberta”. A empresa, granjeia um profissional treinado por si e poupa em custos de recrutamento e seleção, ou, pelo menos, fica com um nome em carteira. Se não correr tão bem, pelo menos, há sempre aprendizagem. Cabe às duas partes fazer essa reflexão e crescer com a experiência.  

Por isso, a si, que está ansioso com o seu próximo estágio, lhe digo: liberte-se dessa pressão. Vai ser o que tiver que ser. Faça a sua parte para que tudo se desenvolva da melhor forma. Vá com garra, determinação e com vontade de aprender. Desligue-se de conflitos ou pessoas negativas e foque-se em si, na sua experiência. Agarre-se aos conselhos do seu orientador ou da pessoa da sua referência na área e dê o seu melhor, sabendo que nem sempre vai ser o que quer ser, mas o melhor que pode ser.

Vá vivendo a experiência com autoreflexão e percebendo o que pode manter e o que deve corrigir, para que a próxima vez seja ainda melhor. Não tenha medo de mudar se assim lhe fizer sentido. De departamento, de tarefa, de função, ou, até, de empresa. Para tudo há uma solução. Sempre. E na sua zona de conforto só vai acontecer uma coisa: nada! Pense. Pondere. Aconselhe-se. Meça o risco. E avance!

Cátia Rodrigues

Cátia Rodrigues

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