Os maiores desafios de ser formador(a): 5 perspetivas

2.07.2019 | Artigos | 0 comments

Todas as profissões têm os seus aspetos mais interessantes e mais desafiantes. A área da formação profissional não é exceção e pensei em falar um pouco acerca do que mais nos azucrina no dia-a-dia. Mas… como não me queria focar apenas na minha perspetiva, fui perguntar a outros 4 colegas de profissão quais as suas opiniões.  

Assim, para a Karla Martins, perita em Linkedin, “O maior desafio que enfrento enquanto formadora profissional é quando encontro grupos muito heterogéneos de pessoas. Por um lado tenho pessoas com nenhum conhecimento sobre Linkedin e, por outro, estão, na mesma sala, pessoas num estágio mais avançado. É difícil gerir as expectativas neste contexto. Quando são formações de minha iniciativa, coloco pré-requisitos, mas quando sou convidada por alguma instituição, por vezes me deparo com este panorama. Aí tenho que lidar com as diferenças de nível em um mesmo grupo.

karla martins

O Fábio Graça, especialista em Restauração, contou-me: “A meu ver, o principal desafio que abraço todos os dias, para além de formar crianças e adultos a nível tecnológico, é formá-los a nível pessoal.  As vertentes técnicas são capazes de ser adquiridas com relativa facilidade através do tempo, mas o que irá diferenciar um bom de um mau profissional é a sua parte psicológica; isto ganha uma especial atenção numa área que envolve uma pressão inerente e constante como é a restauração. Assim sendo, o meu principal desafio é transformar meninos (as) não em homens/ mulheres, mas em senhores (as).

fabio graca

Falei também com a Márcia P’erëira, Ergonomista, que me disse: “O maior desafio é conseguir aliar profissionalismo, qualidade, prazer e dedicação com ofertas de valores/ hora tão baixos (9 euros eu já recebi de oferta!!!). A desvalorização do formador, a meu ver, começa quando, a despeito da qualidade das formações, este não é escolhido/ contratado pela sua competência, eficiência e dom de ensinar, mas sim pelo valor que ele aceita receber. A banalização é tanta que, obviamente, o que menos importa neste cenário é a qualidade da formação e os propósitos da mesma.

marcia pereira

O António Pedro Santos, Fotógrafo Profissional, partilhou comigo que “Ser formador é uma aventura constante, um carrossel de emoções e desafios. Há muitos anos tive um professor que nos dizia a todos ‘não vos posso ensinar tudo o que sei, caso contrário ficam a saber tanto quanto eu’. Dizia aquilo genuinamente e levava à letra o seu princípio. Eu penso exatamente de maneira diferente. Tento partilhar todos os meus conhecimentos com os meus formandos, para que no futuro sejam muito melhores que eu. O maior desafio é mudar-lhes o chip e fazê-los interpretar a realidade de uma forma completamente diferente. Passar de conceitos gastos e ultrapassados para uma vertente original e criativa. Essa é a palavra-chave das minhas formações: ‘criatividade’. Só assim se destacarão no mercado de trabalho, com uma visão pessoal e única do que nos rodeia. Claro que já tudo foi feito; o que nos resta a todos é fazer à nossa maneira, com talento…e criatividade.

antonio pedro santos

Finalmente, na minha perspetiva, o maior desafio com o qual um formador tem que lidar está relacionado com a motivação dos formandos. Quando trabalhamos com grupos altamente motivados, as sessões de formação fluem, há uma interação muito natural e sentimos que o nosso trabalho faz sentido, há um propósito, há um “dar e receber”. É mesmo muito gratificante. No entanto, nem sempre os grupos são assim. Pessoalmente, tenho lidado, maioritariamente, com grupos imaturos, desfavorecidos e que nem sempre fazem as suas escolhas em plena consciência. Neste contexto, o que acontece é que, em 99% das vezes, sentimos que só damos e que, por muito que dêmos, nunca é suficiente. Há que ser muito criativo e, por vezes, alternativo; altruísta; completamente apaixonado pelo que se faz; ter uma capacidade de auto-motivação muito grande; e sentir que o que se faz, faz a diferença para as pessoas com quem trabalhamos, caso contrário deixa de haver propósito e a desmotivação instala-se.

Mas, se está a pensar ser formador, não desanime com estes testemunhos. São apenas alguns aspetos com os quais temos que lidar. Desafios. Tornam-nos mais fortes, melhores profissionais e seres humanos mais Humanos.  

Avance, arrisque e transmita aos outros o que sabe. Acredito mesmo que através da educação e do espírito de partilha todos podemos ser mais e melhor.

E você, acredita?

Qual o seu maior medo quando pensa em tornar-se formador, dar uma palestra, transmitir o que sabe?

E para si que é formador, qual o seu maior desafio? Conte-nos tudo, vou gostar de saber!

Cátia Rodrigues

Cátia Rodrigues

categorias

artigos mais recentes

Conhecendo a APECATE

Conhecendo a APECATE

A APECATE é uma associação que surge nos anos 2000 para representar as empresas de animação turística e eventos de...

Sabia que…

Sabia que…

A caldeirada de peixe se baseia num cozido? Não assenta num refogado, portanto. Leva diversas variedades de peixe,...

Sabia que…

Sabia que…

O Turismo de saúde e bem-estar é um dos produtos turísticos mais complexos que existem? Abrange vários subprodutos:...

Sabia que…

Sabia que…

Em Portugal, o osso da baleia é usado para artesanato? A pesca à baleia foi muito praticada entre os séculos XVIII e...

Artigos Relacionados

Desmistificando os motéis

Desmistificando os motéis

Os motéis são um meio de alojamento que surgiu no início do século XX nos Estados Unidos. O objetivo da sua criação foi corresponder a uma necessidade de acomodação por parte dos camionistas que conduziam muitas horas, precisavam de algum conforto...

Continue Reading
Acredite: o contrário do amor não é o ódio!

Acredite: o contrário do amor não é o ódio!

A maior parte das pessoas pensa que o contrário do amor é o ódio. Mas não é. Há algo muito pior, que tem a capacidade de destroçar até o mais forte dos corações. Há tempos descobri o que era “dar o ghost” (nem sei se é bem assim que se diz!)....

Continue Reading

Pin It on Pinterest