Sabia que…

19.07.2021 | Sabia que...? | 0 comments

Em Portugal não se diz: “fui enganado”? Diz-se: “fiquei a ver navios”.

Esta é uma expressão muito portuguesa, que pode ter várias explicações. Como é sabido, Portugal foi um dos descobridores do mundo. Nessa época, muitos foram os navios a partir dos diversos cais espalhados por esse país fora, em especial da capital, regressando, mais tarde, com mercadorias e tesouros vários. Diz-se que, do alto do miradouro de Santa Catarina, os esperavam os mercadores, ansiosos, pelas novas conquistas. Mas, muitas vezes, fruto de muitas intempéries, os barcos não retornavam. Ficavam, então, ali, os senhores, em suspenso, iludidos, com um regresso que nunca se concretizaria. Este comportamento também é atribuído às esposas dos mareantes, que, após longa viagem, vinham, com frequência, espreitar se os seus amados vinham lá. Regressavam sem grande esperança na maioria das vezes.     

Outra versão, conta que, após o desaparecimento de D. Sebastião, muitos eram os portugueses que subiam ao miradouro de Santa Catarina, em Lisboa, à espera do navio que o trouxesse, regressado da guerra de Alcácer-Quibir. Na época, perder o rei, significava perder a independência para os espanhóis, então os portugueses estavam, mais do que ansiosos, desesperados por rever o seu governante, que, infelizmente, nunca voltou.

Há, ainda, quem refira que tem a ver com o episódio de expulsão dos judeus de Portugal, em 1497. D. Manuel, rei à época, sabia bem a importância dos judeus para o país, já que eram os mais letrados e cultos. Então, mandou expulsá-los, mas, por obra do destino, não vieram barcos suficientes para os levar. Ficaram todos “a ver navios” e foram batizados (convertidos) à força. Eram novos-cristãos e deixaram de existir judeus em Portugal. Alegadamente.

Outro dos episódios da história portuguesa, que pode explicar esta expressão, é o momento da tentativa de captura da família real, pelas tropas de Junot, na primeira invasão francesa, em 1807. Teriam partido para o Brasil, poucas horas antes da chegada dos atacantes e, estes, ficaram a ver os navios, ao longe, sem poder agir.    

Dada a forte presença de navios, partidas de navios, navegações e memórias náuticas associadas à história de Portugal, é natural que esta expressão tenha surgido e perdurado ao longo do tempo. “Ficar a ver navios” significa, então, ter uma expectativa defraudada, ser enganado, ficar desiludido, ou não obter o que se deseja.

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Cátia Rodrigues

Cátia Rodrigues

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