Sabia que…

10.05.2021 | Artigos | 0 comments

O ano de 1755 terminou de forma trágica em Portugal?

Foi na manhã do dia 1 de novembro que Lisboa foi acordada de rompante. Deu-se aquele que se veio a revelar um dos terramotos mais devastadores da história da humanidade. Atingiu uma magnitude de 8 a 9 na Escala de Richter. Significa um abalo fortíssimo, que se sentiu, interpoladamente, durante mais de duas horas.

Como se não fosse suficiente, seguiu-se-lhe um violento maremoto, em que as ondas chegaram a atingir 20m de altura. Era sábado e feriado – Dia de Todos-os-Santos – e a população estava, maioritariamente, em igrejas, repletas de velas acesas, o que originou, naturalmente, diversos incêndios. A cidade ardeu durante mais de cinco dias.

O cenário era de destruição maciça, ruína, devastação. As pessoas estavam em choque e o silencio ensurdecedor escondia o pânico, o medo, o horror.     

Estima-se que tenham sido levadas entre 10 000 a 50 000 almas neste evento, só em Lisboa. Destruiu quase totalmente a capital, grande parte de Setúbal e a zona do Algarve.

Mas, depois da tempestade, vem a bonança. Era hora de “enterrar os mortos e cuidar dos vivos”, frase que foi eternizada e atribuída ao então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e futuro primeiro-ministro do Reino de Portugal, Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal.

Arregaçou as mangas e pôs mãos à obra. Reconstruiu Lisboa de forma ordenada, moderna, estratégica e segura. As novas casas foram das primeiras do mundo a serem construídas à prova de sismos. Social e filosoficamente, este acontecimento veio, também, abrir as mentes e trazer progressão ao país e à Europa de então.

A sismologia progrediu imenso, também, graças ao terramoto de 1755, já que, visionário, o Marquês de Pombal não se ficou pelos acontecimentos. Quis apurar as razões e as origens. Ordenou que se estudasse a fundo a questão, o que permitiu o desenvolvimento da sismologia moderna.

Este é um dos momentos mais marcantes da história de Portugal, não só pela sua dimensão e impacto negativo, mas também pelos desenvolvimentos posteriores que proporcionou. Muito se perdeu neste episódio, mas muito se ganhou. Muita história se reescreveu e muito renasceu.   

Fonte da imagem: https://bit.ly/3b5Vmf7

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Cátia Rodrigues

Cátia Rodrigues

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