Sobre a Desaceleração Profissional em Turismo

2.02.2021 | Artigos | 0 comments

A atividade turística desenvolve-se ao longo das 24h do dia, durante sete dias por semana, nos 365/6 dias do ano. O ritmo de trabalho é alucinante e permite pouca segurança ou estabilidade para as pessoas que aqui trabalham. Para lidar com isto e manter os níveis de produção necessários, bem como um sorriso no rosto e a satisfação das necessidades dos clientes, é preciso um grande “jogo de cintura”, que mais não é do que inteligência emocional.

Poucos conseguem o equilíbrio necessário para manter a mente, o corpo e o espírito sãos. Mas, será que viver sempre “no limite” é mesmo necessário? Ou trata-se apenas de uma escolha? Para me ajudar a perceber esta e outras questões que possam ajudar os colegas do mundo do Turismo, convidei a Cláudia Ganhão, Especialista em Minimalismo, Gestão do Tempo, Produtividade e Organização para nos elucidar.

CR – Cláudia, começo exatamente por esta questão: viver numa correria é uma escolha ou uma inevitabilidade dos dias atuais?

CG – É, sem dúvida, uma escolha! Nós temos, efetivamente, o poder de escolher se queremos acompanhar a correria dos dias atuais ou não e isso não invalida que sejamos pessoas atuais, dinâmicas, produtivas, eficientes, bem-sucedidas, felizes. A correria dos nossos dias é contagiante e cabe-nos a nós travá-la, pois é humanamente impossível ser funcional, equilibrado e feliz quando se corre em vez de se andar, quando só se vê o que ainda não se tem ou onde ainda não se chegou e não se desfruta do caminho, do dia-a-dia.

CR – E, às vezes, quando insistimos em andar em “piloto automático”, a vida mostra-nos que não pode ser assim. Foi o caso da Pandemia Covid-19. Ela trouxe uma paragem abrupta para a maioria dos profissionais de Turismo. Muitos não estavam nada preparados para diminuir tanto as suas atividades profissionais ou mesmo parar. Como se lida com isto? O que aconselhas para não cair numa tristeza profunda?

CG – “Tudo pode ser tirado a uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher a sua atitude em qualquer circunstância da vida.” Esta frase de Viktor Frankl resume a forma como encaro a atual conjuntura. É naturalíssimo que o primeiro impacto seja difícil, principalmente quando não estamos preparados, mas depois dessa 1ª fase há que arregaçar mangas e agir.  Procurar novas maneiras de fazer as coisas que sempre fizemos, procurar novas oportunidades, novas ideias, mudar, agir, fazer a diferença, procurar parcerias e sinergias. Não estamos sozinhos e juntos podemos ser mais fortes! Encarar tudo isto como uma oportunidade é a chave.

CR – É uma questão de postura, portanto. Mais do que querer mudança, ser agente da mudança! E, para quem tem mais dificuldades em partir para a ação, sente mais resistência ou desmotivação, pode, eventualmente, começar por pequenos passos, pequenas ações. Podes dar-nos alguns exemplos práticos que façam realmente a diferença?   

CG – Acredito que somos um todo e que tudo o que fazemos tem impacto em todas as áreas da nossa vida, por isso, qualquer mudança positiva será sempre benéfica. Alguns exemplos de pequenos passos, que posso deixar como dicas para partir para a ação, são:

  • ter bem presente os seus valores e missão atuais, assim como a visão a longo prazo;
  • identificar e colocar em prática fugas emocionais, ou seja, o que o pode ajudar quando está mais em baixo (ex: exercício físico, falar com amigos, leitura,…);
  • criar uma almofada financeira, para enfrentar fases menos positivas;
  • trabalhar o merecimento, ou seja, mentalizar-se que merece ser feliz e ter uma vida plena;
  • não colocar a felicidade em objetivos externos, por exemplo: “quando a pandemia passar vou ser feliz”; a felicidade é uma escolha diária e o segredo está em desfrutar das pequenas coisas.

CR – Excelentes sugestões Cláudia. E quando começamos a mudar, nem que seja através destes simples detalhes, a nossa vida muda, o nosso mundo muda, tudo à nossa volta muda. Até parece magia! Mas não é. É preciso ação e proatividade. Técnicas como a meditação, o mindfulness, o yoga ou a respiração consciente também são práticas úteis na tua opinião? Elas estão ao alcance de cada um ou já só pessoas mais avançadas nestas lides podem assumir estas práticas?

CG – São técnicas que estão ao alcance de todos sem exceção, e, embora a meditação, o mindfulness, o yoga ou a respiração consciente pareçam ser “modas”, a realidade é que estamos a falar de técnicas milenares e que, efetivamente, nos podem ajudar a todos! Não precisamos de ser experts em nenhuma delas para experienciar os seus benefícios, tais como: menos stress, menos ansiedade, menos impulsividade, melhor qualidade de sono, etc. Por isso sim, acredito que são práticas muito úteis para quem pretende abrandar o ritmo das suas ações e dos seus pensamentos.

CR – É caso para dizer: pequenos gestos, grandes mudanças! E vale a pena, já que é em prol de uma melhor qualidade de vida. E, para os mais céticos, que resistem sequer a experimentar abrandar ou insistem em culpar os fatores externos pela má qualidade de vida que têm, qual a mensagem que podes deixar?

CG – O melhor que lhes posso dizer é: resultados diferentes só se atingem com ações diferentes! Se queres alcançar algo, se queres mudar, tens de fazer diferente, pois se continuares a fazer o mesmo que sempre fizeste, nunca alcançarás resultados diferentes. O grande diferencial das pessoas de sucesso é que são persistentes, focadas, consistentes e nunca desistem! Simples.

Excelente Cláudia, foram ótimas dicas e sugestões. Mais do que isso, chamadas de atenção para a importância do foco no pensamento positivo e na ação. Obrigada pela tua partilha!

E você? Acha que este tipo de práticas e pensamentos fazem mesmo a diferença?  

Conte-nos tudo, vamos gostar de saber!

Poderá gostar de ler, também, da série “Sobre…”, criada para ajudar os Profissionais de Turismo a ultrapassar a fase complexa de confinamento, decorrente da Pandemia Covid-19:

Sobre Empreender em Turismo

Sobre gerir a sua carreira em Turismo

Cátia Rodrigues

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